quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dinha

                                                                                                   Dinha hoje
A Dinha morava em uma construção, como tantos outros cachorros abandonados fazem. Ali eles se afeiçoam aos pedreiros, aos vigias e vão ficando, contando com o abrigo, as sobras de comida e um carinho eventual. Só que tinha um problema, suas patas de trás não funcionavam. Então ela se arrastava. Ninguém nunca vai saber como aconteceu, era um cachorro de rua e ninguém prestava atenção. Muito tempo passou antes que alguém resolvesse fazer alguma coisa, foi quando a levaram para a Clínica Mascote. Lá ela foi medicada, avaliada e descobriram que tinha uma luxação na coluna, mas que não tinha sido rompida, ela poderia voltar a andar.
 Fizeram acupuntura e fisioterapia e ela foi recobrando os movimentos e a confiança, a alegria ela nunca perdeu. Dinha ainda é bem ressabiada, sabe que sua condição é diferente, de vez em quando a patinha dobra e ela demora a conseguir coloca-la no chão direito. Ela também não fica louca pra passear, o que da pra entender visto que ela precisa fazer um esforço bem maior do que os outros cachorros, mas ela faz qualquer coisa pra agradar. É daqueles cachorros totalmente apaixonados por quem cuida deles. Ela é meiga, quietinha e merece muito ter um ser humano, um que se preocupe tanto com ela quanto ela se preocupa conosco.

Dinha quando chegou à Clínica

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Gostosa

Quando eu propus tomar conta daqueles filhotes pela primeira vez, ele foi enfático "Não, dona. Não posso. Eu quero eles. E eles ainda tão mamando". Quando expliquei que ia levar a mãezinha também ele deu um pulo: "Aí é que não mesmo, dona!!!!! Ela é a minha vida". Aos poucos fui convencendo. Falei da adoção dos filhotes, falei da castração da mãezinha. A negociação durou 3 dias. Já tinha rodado a região duas vezes tentando encontrá-los. Ele ficou me testando, me pedindo provas de confiança. Eu dei. Quando estava quase vencido ele argumentou: "Mas, dona, a senhora sabe que tem cachorro que quando afasta do dono fica deprimido, para de comer. Ela nunca ficou presa, a senhora mora em apartamento..." Eu, cidadã estabelecida, curso superior, bilíngue, PROTETORA entendia muito de cachorro e garantia que ela não ia passar por nada disso. Ele ainda relutou um pouco, mas com a promessa de que deixaria que a visitasse, que assim que fosse castrada a devolveria e mais vinte reais permitiu que a levasse.
Gostosa foi comigo muito a contragosto, mas dócil. Ao contrário de todos os relatos de agressividade (tinha mordido várias pessoas que passavam pela "casa" dos moradores de rua) estava muito mansa e se recusava sair do meu colo enquanto eu dirigia. Apresentei ela e os filhotes aos meus parceiros de resgate, todos muito animados. Levei pra casa pra dar banho enquanto o cantinho que ela ocuparia na casa da minha vizinha era devidamente preparado. Estranhou muito meus cachorros, estava apavorada, não relaxou um segundo sequer, mas se submetia aos meus cuidados com ela e com os filhotes, se submeteu ao banho. Não conseguia conduzi-la na coleira (obviamente nunca tinha usado uma), tive que carrega-la até o lugar onde os instalamos, um terraço totalmente abrigado, que foi cercado em vários lugares pra que ficasse seguro pros filhotes, mas ela continuava com aquele olhar de desespero. Segundo minha vizinha era um olhar que perguntava "Cadê meu povo?" e a deixamos lá pra dormir.
A noite foi tranquila, ela cuidava dos filhotes, mas não comia, nem bebia água, permanecia dócil e totalmente arredia. Até que pela hora do almoço minha vizinha me ligou. Ela estava em casa quando ouviu um barulhão. Era a Gostosa que tinha pulado do terraço sobre um toldo. Ela foi resgatada com muito cuidado pela janela, levada de volta e estavam tomando os cuidados para tampar todos os vãos para o toldo quando Gostosa simplesmente tentou pular por um outro lado, rumo ao chão. Foi impedida no último segundo. Aí minha vizinha falou comigo sobre suas preocupações, além de todo aquele risco, ela achava que Gostosa estava ensaiando uma fuga, e que durante todas aquelas horas só pensava em uma coisa: voltar pro seu dono.
Procurei a Lídia, companheira de Nossa Mascote, discutimos uma solução e eu abri meu coração: Achava que a Gostosa estava sofrendo muito, estava muito infeliz e correndo risco. Então decidimos que o melhor a fazer seria leva-la de volta para a pessoa que a fazia se sentir segura. E levei. Chegando perto dele ela começou até a aceitar a guia (qualquer coisa pra chegar mais rápido) e eles se encontraram como se tivessem ficado longe um do outro por meses. Na hora ela perdeu aquele ar de preocupação e passou a se comportar como um cachorro de novo. Quando contei o que tinha acontecido ele me olhou sorrindo e disse: "Que bom que a senhora entendeu". Combinamos que assim que os filhotes desmamarem eu volto pra busca-los, encaminhar pra adoção e levar a Gostosa pra castrar. Enquanto isso vou tentar dar toda a assistência possível e estou autorizada a visitar quando quiser (sou praticamente um membro da comunidade agora).
Eu achei que estava resgatando da miséria. Achei que podia salvar a Gostosa de toda a privação e risco que ela tinha passado até então. Mas ela não quer meu conforto, minha segurança. Não quer meu apartamento, meu carro, minha coleira, minha ração nutritiva. Ela é um cachorro, então ela quer mais: quer ficar com aqueles a quem pertence e que pertencem a ela. Sua matilha, seja de que raça for, de que classe social for, nada mais.

domingo, 17 de novembro de 2013

Nossa Mascote: como ajudar.


Amigos da Nossa Mascote,

Estamos tentando estruturar nosso trabalho e os animais em dificuldade não param de aparecer. Atualmente temos cerca de 15 sob nossos cuidados na Clínica Mascote e em lares temporários. Precisamos de ajuda para mantê-los. Como várias pessoas já nos procuraram pra oferecer ajuda, imaginamos um sistema de colaboração.
Quem quiser se propor a ajudar mensalmente estipulamos diferentes sugestões de valores que podem ser: 20,00 (vinte reais); 50,00 (cinquenta reais); e 70,00 (setenta reais).
Obviamente também aceitamos contribuições espontâneas no valor, data e frequência que a pessoa achar melhor. Como ainda não cumprimos todos os trâmites burocráticos para instituir a ONG, disponibilizamos uma conta particular, em nome da Lídia Mafra, APENAS para contribuições, que é a seguinte:

Banco do Brasil 
Lidia Pinto Coelho Mafra 
Agência: 2655-7 
Conta corrente: 33178-3 
CPF: 790.233.716.15 

Ainda queremos estimular outro tipo de ajuda. Já temos alguns voluntários que passeiam regularmente com nossas "crianças", visitam, dão carinho e isso é muito importante porque alguns deles estão conosco há mais tempo do que deveriam e precisam da atenção. Então se você tiver um pouquinho do seu tempo e cuidado para doar entre em contato conosco por email: nossamascotebh@gmail.com, ou através do Facebook: Nossa Mascote, ou até mesmo pelo telefone da Clínica Veterinária Mascote: 3484-1211.
Entendemos que existem várias maneiras de ajudar e ficamos honradas que você possa exercer a sua através do nosso projeto. Significa muito pra nós e para os nossos protegidos e só temos a agradecer.

Com muito carinho

Equipe Nossa Mascote

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

BEM VINDOS!!!!!!

Eu não sei direito como a maioria das pessoas enxergam os bichos, sei como eu enxergo e sempre enxerguei desde que me entendo por gente: com amor incondicional. Com vontade de cuidar e proteger e livrar da dor. Não que eu seja indiferente à dor humana, pelo contrário, mas essa me incomoda mais quando é injusta, indefesa, quando vem de quem não pode lutar por si. E provavelmente é esse o apelo que eu não consigo resistir nos animais. Os bebês humanos crescem e ficam autossuficientes, os doentes humanos muitas vezes se restabelecem e ficam fortes de novo, os ingênuos às vezes aprendem, mas os animais... os animais têm o apelo da inocência e da fragilidade eternas.

Pela vida afora fui descobrindo pessoas como eu, mas segui vivendo vida de gente, crescendo, trabalhando. Tendo animais, ajudando animais aqui e ali, mas ocupada demais pra fazer mais do que isso. Só que a vida  parece que vai peneirando a gente, juntando e separando pessoas, sentimentos, vontades até sobrar só o que somos. E foi assim. Foi assim que a vida me juntou a protetores na internet, e foi me fazendo mais atuante, e colocando bichos no meu caminho. E depois colocou a Lídia Mafra e a Clínica Mascote e colocou a Ana Márcia Bruno e a Gabi Rodrigues e colocou as feiras de adoção e a Letícia Tolentino. Todos esses por sua vez também eram peneirados e aí apareciam Florzinha, Maia, Nala, Ed, Costelinha e mais feiras de adoção e a Nívia Guerra e a Glorinha Rodrigues e a Sílvia Guerra e a Porcha, a Dinha, a Catarina, a Margarida, a Mel, a Pretinha, a Mabel (duas delas)...

E aí tudo ficou grande demais pra ficar sem cara, sem nome, sem propósitos bem definidos. Aí veio a vontade de ajudar mais e sempre. Aí surgiu a NOSSA MASCOTE, nosso bebê, nossa organização com vontade de ser ONG. Ainda é só um recém-nascido, meio com cara de joelho, mas que veio muito festejada, muito cheia de amor. Como pais só o que queremos é que cresça forte e feliz. Queremos que encontre lugar em muitos corações pra devolver a tantas vidinhas desse mundo a qualidade sagrada da dignidade. Seja bem-vinda!!!!!!